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Segunda-feira, 9 de Abril de 2007

os meus pequenos marinheiros....

Filhos seres adoráveis que um dia crescem e passam a ser deles próprios”

Entrei agora no seu quarto mas hoje não os vi repousar como marinheiros que acabam de chegar a terra depois de mais um dia de lutas contra ventos e marés. Cansados da sua jornada , de tropelias , correrias e brincadeiras, como acontece todos os dias porque hoje tiveram que ir repousar noutro porto! Desde o dia em que nasceram e os colocaram sobre o meio peito, ainda meia atordoada pelo cansaço, achei-os lindos! Como qualquer mãe! Eram um pedaço de mim, que tinham acabado de sair do meu ventre, que iniciavam agora o seu percurso neste mundo. A partir desse momento deixaram de estar só sobre a minha protecção, agora era eu e o universo que teríamos de cuidar deles. Desde esse dia criei a ilusão dentro de mim de que poderia caminhar sempre por eles. Iria sempre tentar que eles fizessem o caminho mais seguro, mais tranquilo e assim lhes evitaria algumas feridas, tristezas e mágoas. Nunca os deixaria caminhar por caminhos cobertos de espinhos ou pedras, pois eu iria sempre orientá-los pela estrada mais segura. O meu marinheiro mais velho e experiente começa já avisar-me que não será bem assim. Já fez várias feridas, já chorou porque o magoaram, porque ficou triste. Começo aperceber-me de que não poderei caminhar por ti nem para ti! Estás a crescer eu começo a sentir algum desequilíbrio, já não caminhas apoiado em mim, começas a procurar outras aventuras, fazes exigências e o mundo começa a tomar conta de ti. Sinto que à medida que vais crescendo sou obrigada a ver-te trilhar caminhos que talvez eu nunca escolhesse para ti! Um dia chegará em que os meus passos já não alcançarão os teus, porque eles serão largos demais em busca dos teus sonhos! Às vezes dou comigo a imaginar como serás na adolescência, as fases por que passarás, quantas vezes cairás? A mim só me resta ajudar-te a levantar dos teus tropeços como faço agora com o teu irmão que está a iniciar os seus primeiros passos. E procura as minhas mãos quando se sente a desequilibrar. Eu sei que um dia, mesmo caído no chão não aceitarás a minha ajuda, como tentas fazer agora porque te consideras um homem crescido, queres fazer tudo sozinho e só depois de muita persistência me estendes a tua mão para eu te levantar. Tal como eu precisei de desbravar os meus próprios caminhos, convosco irá acontecer o mesmo; sei que nem sempre irei estar de acordo , algumas vezes iremos discordar , mas mesmo assim estarei sempre ao vosso lado. Talvez um dia seja eu a precisar de ajuda na minha caminhada e terão que aguentar o peso dos meus pés porque sozinha já não conseguirei. Como faço agora com vocês. Tentarei sempre adubar o vosso coração com amor, o mais poderoso dos adubos, para que consigam suportar as adversidades da vida! Queria que fossem apenas os meus marinheiros, mas têm outro barco, porque os oficiais se zangarem! A tripulação separou-se e vocês partiram comigo. Não sabem a tristeza que sinto quando vos preparo a mochila e vos vejo partir rumo a outro cais, nem que seja por poucos dias. Fica uma sensação de silêncio e de vazio! Os vossos brinquedos espalhados pelo chão à espera do vosso regresso! Para em conjunto seguirmos esta nossa nova aventura de marinheiros num barco que é só nosso! Aos poucos estamos a conseguir construir o nosso próprio navio, de onde só saem sempre que o outro oficial vos chama! Mas sei que um dia partiram para outros mares e eu aqui ficarei só num navio enorme que foi nosso! E sentirei o peso da solidão como sinto hoje, as lágrimas caem-me pelo rosto...e nenhum de vocês está aqui para me fazer sorrir!
Cláudia às 17:01
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